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No Jardim da Ressurreição – Na Casa de Deus

A Tenda/igreja, onde habita o Senhor, oferece seu espaço acolhedor ao abrir sua grande Porta de entrada que revela aquilo que ela é, em maneira inseparável: Casa de Deus e Casa das famílias. Para desenvolver esta sua função fundamental, a entrada é precedida de um Átrio convenientemente amplo, para a Acolhida e a Despedida do padre que preside a missa e entre os participantes. O Átrio é espaço liminar de intercâmbio entre a vida cotidiana e o sagrado.

Seguindo a função de encontro de Deus com seu povo, e dos fiéis entre si, cumpriremos um breve percurso catequético, através da leitura simbólica dos elementos que caracterizam o espaço interno. Ele ilumina o caminho espiritual, que seguimos seja participando na missa do Domingo, bem como na vida de cada dia.

 Dedicaremos a este percurso duas meditações.  A presente meditação destaca os elementos que vão da Porta de Entrada até um primeiro olhar contemplativo sobre o grande ícone da Transfiguração,  pintado na parede do Abside.  A meditação da próxima semana será dedicada aos elementos que constituem o coração   do espaço litúrgico e de toda celebração: altar, ambão, cadeira presidencial, Ícone da Transfiguração que domina todo o espaço litúrgico. Elementos complementares serão a Capela do Santíssimo Sacramento, e o Ícone de Nossa Senhora do Conforto.

A grande Porta de Entrada tem esculpida na madeira o grande Árvore da Vida.  Na Casa do Pai tudo é vida e acolhida. A imagem do bambu torcido evoca o Jardim da criação, no qual o Senhor colocou Adão e Eva, a fim de terem cuidado dele e cultivarem a intimidade com Deus e com a natureza (cf. Gen. 2,17). 

A profecia da salvação, presente na criação, encontra   sua realização no Jardim da ressurreição de Jesus, que ẻ o novo Adão e início da nova criação, à qual nós pertencemos por sua graça (cf. Rm. 5,12-20).

A conexão entre a celebração litúrgica da Páscoa e o jardim da Vida, está sendo fortalecida pela presença, na frente do edifício, da querida árvore da Quaresmeira, transplantada do seu lugar original em frente do antigo Salão/Igreja.

 Entrar na igreja, é experiência de graça e gesto que empenha. É abrir-se à escuta e à fala com Aquele que é a fonte da vida, e se comunica no amor.  Cada um entra com sua história e motivações pessoais, em resposta à voz do Senhor, que o chama a compor a única Assembleia do Senhor.  

Não só na Missa, mas, em toda oração cristã, a primeira atitude a cultivar é a escuta. Deus vem ao nosso encontro, nos interpela, nos orienta, nos alimenta. Jesus Cristo, Palavra vivente do Pai, está presente   de maneira misteriosa, “preside” a Assembleia e acolhe. Por isso o ritual sugere que cada um, depois de entrar, possa dispor de alguns momentos de silêncio, para se “recolher” e dispor-se ao encontro na celebração.    

         O espaço interno da tenda/igreja, desde o primeiro olhar de conjunto, se apresenta como um espaço unitário, no qual, a Sala central com os bancos dos fiéis e o Presbitério, com altar, ambão e cadeira do presidente e aos dois lados o Coro dos monges, oferece a visão de una assembleia celebrante unitária e articulada, segundo os próprios carismas e funções junto com Cristo que a preside e anima.

Penetrar progressivamente no espaço litúrgico, constitui um caminho espiritual de aproximação ao centro do mistério de Cristo, que ẻ representado pelo Altar, pelo Ambão e pela Cadeira da Presidência.                   

Ao entrar na igreja, o primeiro elemento que vem ao nosso encontro, é a Pia Batismal e da Água Benta. Uma clara referência ao Batismo que é a porta de entrada na vida cristã, e nos introduz na comunhão com o Pai, com Jesus morto e ressuscitado, com o Espírito Santo, e nos insere na comunhão da igreja.  “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, proclamou o ministro da igreja ao nos acolher na igreja de Deus, fazendo nos participar da   vida nova de Cristo Ressuscitado.           

Saímos das águas sagradas, como filhos e filhas do Pai.  O Batismo marca a nossa Iniciação à vida nova em Cristo e àquele processo de transfiguração interior, que dura toda a vida, e nos conforma a Cristo Transfigurado.

Se a Pia batismal, na entrada, marca o início do caminho no seguimento de Cristo, a Transfiguração de Jesus, no Ábside, destaca a sua meta.

 Na Vigília de Páscoa, e as vezes no Domingo ao longo do ano, com imenso júbilo renovamos juntos nossas Promessas Batismais, sinal do nosso caminho no seguimento de Jesus.

Caminhando para dentro do espaço litúrgico, nosso olhar contemplativo é atraído, como dizemos, pelo grande Ícone da Transfiguração, pintada na parede central do Ábside.

Naquele evento de profunda intimidade com o Pai, enquanto   estava rezando na montanha, Jesus manifestou aos três discípulos Pedro, João e Thiago, sua glória de Filho bem-amado do Pai, sua missão para cumprir promessas feitas aos profetas no Antigo Testamento, seu destino de sofrimento na cruz para nossa salvação, e nossa vocação a seguir seu exemplo de amor ao Pai e aos irmãos.

O Mosteiro dos monges e a igreja são dedicados a este mistério, para que nós também, contemplando e partilhando com Ele esta experiência, deixemos transfigurar nossa maneira de pensar e de agir, para ser conformes a Cristo.

 Ao sair da celebração, a Despedida acompanha o caminho de cada um com a benção do Senhor e a solidariedade dos irmãos, animada pela   alegria gerada pela partilha da Palavra e do Corpo do Senhor.

Na próxima meditação iniciaremos nossa reflexão orante a partir do mistério da Transfiguração de Cristo, e de nós nele, fruto da celebração-

Don Emanuele Bargellini                                                                               Mosteiro da Transfiguração

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