Nossa Origem

Fundado em 1012 por São Romualdo, monge beneditino (†1027), o Sagrado Eremitério e Mosteiro de Camáldoli encontra-se em meio a uma floresta milenar do Apenino toscano-romanholo na Itália central. Um cenário de extraordinária beleza que infunde serenidade e dilata o espírito.Camáldoli conjuga as duas dimensões, comunitária e solitária, próprias da vida do monge, expressas respectivamente, no Sagrado Eremitério e no Mosteiro que juntos, formam uma só comunidade. O tradicional brasão, formado por duas pombas que bebem no mesmo cálice, exprime simbolicamente esta comunhão na diversidade, alimentada no constante relacionamento com o amor de Deus.

Por sua natural vocação, Camáldoli desde suas origens desempenhou e ainda hoje desempenha a função de ponte entre as tradições monásticas do Oriente e do Ocidente. Com o Concílio Vaticano II voltou a ser um lugar privilegiado de encontro para o diálogo ecumênico e inter-religioso. Diálogo com o judaísmo e com o islamismo, com o hinduísmo e com o budismo, com

homens e mulheres que formalmente não pertencem a uma religião específica, mas vivem em sincera busca interior. Camaldoli é a Casa Mãe e ponto de referência espiritual de uma rede de dez comunidades de monges que se encontram na Itália, nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia e na África.

Cada uma delas interpreta, segundo as características próprias e a cultura de cada Igreja local, a comum inspiração romualdina e camaldolense, e juntas constituem a Congregação Camaldolense da Ordem de São Bento. Também algumas comunidades monásticas femininas, presentes na Itália, França, Tanzânia, Estados Unidos, Índia e Brasil, se refazem ao comum patrimônio espiritual de São Romualdo e de Camáldoli. Entre os dois ramos da única família camaldolense se desenvolvem atualmente, formas e iniciativas de colaboração ao nível espiritual e pastoral.
 

Brasil: Ontem e Hoje...

A atual presença do monaquismo camaldolense no Brasil foi precedida há mais de um século (1899 – 1926), por uma fundação na Diocese de Caxias do Sul (RS). Ao longo de vinte e sete anos expressou grande vitalidade espiritual e pastoral, mas infelizmente não conseguiu permanecer por falta de condições na Casa mãe na Itália. Nossos amados monges sofreram na própria pele as contradições de uma visão teológica da vida espiritual estranha à mais autêntica tradição dos Padres da Igreja e do monaquismo, mas infelizmente dominante na Igreja do seu tempo. Esta visão separava contemplação e ação, ao restringir a contemplação a um exercício interior e espiritualista, atribuindo toda expressão de serviço ao evangelho às “Ordens apostólicas ativas”, como se costumava dizer.

Este esquema interpretativo não correspondia à própria tradição camaldolense, que desde seu início conhecia a comunhão entre vida solitária ou eremítica, vida comunitária e serviço ao evangelho. Por outro lado, a simplicidade de coração e a sensibilidade humana e espiritual empurravam os “camaldolenses brasileiros” a serem solidários com as necessidades dos pobres imigrantes italianos, enquanto procuravam, ao mesmo tempo, ficarem fiéis ao teor de vida monástica e contemplativa que tinham herdado do Sagrado Eremitério de Camáldoli.
 
Se as dificuldades práticas para conjugar as duas exigências constituíam um desafio cotidiano para os “monges brancos” de Nova Camáldoli (eremitério) e de Ana Rech (mosteiro da SS. Trindade), para os eremitas da Itália, a mesma tentativa dos brasileiros parecia como que uma “traição” à própria vocação camaldolense, assim como eles a conheciam no último século. A celebração do centenário da fundação do Mosteiro da SS. Trindade no mês de agosto 2007 demonstrou mais uma vez com grande surpresa, quão profundamente os camaldolenses brasileiros tinham conseguido penetrar na vida do povo rio-grandense que guarda, deles, até hoje, memória indelével e fecunda.

Nós, os camaldolenses do século XXI, queremos guardar e atualizar a preciosa herança das mais antigas raízes de São Romualdo e a linfa vital que nos entregaram nossos queridos predecessores brasileiros.

 


O Mosteiro da Transfiguração foi fundado em 1985. Os monges provinham do Sacro Eremitério e Mosteiro de Camáldoli (Arezzo) Itália, a convite do então Bispo de Mogi das Cruzes (SP), Dom Emílio Pignoli.

A finalidade que os monges e o bispo se propuseram, foi a de constituir uma comunidade monástica, enraizada na tradição espiritual beneditina e camaldolense, e aberta às novas exigências de serviço ao Senhor e ao povo de Deus, evidenciadas pelo Concílio Vaticano II. Uma comunidade que vive a fraternidade evangélica, a oração litúrgica e pessoal, o estudo contemplativo e a meditação da Palavra de Deus, o trabalho manual e cultural, o diálogo ecumênico e inter-religioso, e a acolhida fraternal dos que procuram alimentar a própria busca espiritual.

O Mosteiro é dedicado ao mistério da Transfiguração de Jesus sobre o Monte Tabor (Mc 9, 2-10). Renova a tradição do Sagrado Eremitério de Camáldoli que é dedicado a este Mistério do Senhor, que tamanho relevo tem na espiritualidade monástica, sobretudo do Oriente. A escolha do nome revela a profunda identidade espiritual da comunidade monástica e a sua vocação. Constitui um convite a contemplar permanentemente, junto com os apóstolos, o mistério de Jesus que através da sua humanidade e da cruz revela o Pai, e a vocação a deixar-se transformar e transfigurar na imagem de Jesus, o Filho predileto. Desta profunda relação pessoal com Jesus se alimenta a vocação do discípulo e do monge a segui-lo com fidelidade, para testemunhar o evangelho do Senhor, com a própria vida antes que com a palavra.

Em 1993, aos Monges se uniram as Monjas Camaldolenses, com a fundação do Mosteiro da Encarnação. Monges e Monjas, na recíproca independência e autonomia interna, constituem uma “comunidade gêmea”, na qual compartilham em fraternidade, a oração litúrgica cotidiana, a formação dos candidatos (as) e o serviço da hospitalidade. Um pequeno sinal evangélico da comunhão fraterna, na valorização das diversidades existentes entre homens e mulheres também na igreja.